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Seria o Napster o fim da discussão dos streamings de música?

Debates sobre o melhor streaming de música estão em alta, mas poucos mencionam o Napster, seria ele a solução perfeita ainda não notada?


Muitos já conhecem o Napster pelos seus feitos históricos na internet


Quando os streamings ainda não eram uma realidade, a principal maneira de ouvir as suas músicas e álbuns favoritos era totalmente diferente: CDs, discos de vinil, fitas cassete e rádio.


Novas possibilidades e tecnologias começaram a surgir ao longo dos anos, sendo uma das mais importantes o MP3, que nasceu na Alemanha no final dos anos 80.


O MP3 foi revolucionário pela sua capacidade de compressão de dados sem comprometer significativamente a qualidade do som, tornando muito mais fácil armazenar e compartilhar os arquivos.


No entanto, o sucesso do formato atingiu seu auge com o surgimento dos softwares de compartilhamento, sendo o principal e mais conhecido deles o Napster.


Interface do Napster
Interface do Napster — Foto: Reprodução

O Napster abriu o caminho para a era digital da música, demonstrando o potencial da internet em compartilhar arquivos e conectar pessoas com interesses musicais em comum.


Mas, a alegria proporcionada pelo Napster não durou por muito tempo. As gravadoras e artistas entraram com ações judiciais, alegando que o software violava seus direitos e influenciava a pirataria.


Uma série de problemas e processos judiciais acabaram por selar o destino do Napster, tornando seu fim inevitável.


O modelo pioneiro que conquistou milhares de usuários desapareceu para sempre, deixando um legado e um marco histórico na indústria da música.


Mas para surpresa de muitos, o Napster ressurgiu mais tarde em uma nova forma: um serviço de streaming de música moderno.


No entanto, até hoje, ele não alcançou o mesmo sucesso dos líderes de mercado.


E, definitivamente, não se igualou ao impacto que seu modelo anterior teve.


Mas será que o novo Napster é tão bom quanto o original e chegou para acabar com essa discussão de qual é o melhor serviço de streaming de música?


Conheça o Napster como um serviço de streaming de música


É fácil notar que todos os principais serviços de streaming de música seguem um modelo de negócios semelhante, e com o Napster não é diferente.


O serviço oferece um período de 30 dias de avaliação gratuita, algo bem comum entre os demais.


O valor da assinatura individual é de R$ 17,99 por mês, podendo economizar 20% no plano anual. Já o plano familiar para até seis usuários custa o valor de R$ 26,99 por mês.


As principais características descritas na página de planos no site oficial do Napster são:


  • Streaming em formato lossless (sem perda de qualidade do áudio)

  • Mais de 110 milhões de músicas sem anúncios

  • Transferência de biblioteca gratuitamente

  • Possibilidade de ouvir offline

  • Videoclipes oficiais


Dentre essas, a principal e melhor vantagem é sem dúvidas a qualidade de áudio, tendo mais especificamente a capacidade de reproduzir em até 16 bits, 44,1 kHz (o que equivale a 1.411 Kbps, a mesma qualidade de áudio encontrada em CDs).


Não vou entrar em muitos detalhes técnicos, mas como modelo de comparação, podemos usar os demais serviços de streaming de música populares no mercado atual:


  • Spotify: não oferece a tecnologia de áudio lossless, reproduzindo em até 320 Kbps.

  • YouTube Music: não oferece a tecnologia de áudio lossless, reproduzindo em até 320 Kbps.

  • Deezer: oferece a tecnologia de áudio lossless, reproduzindo em até 1.411 Kbps (16 bits, 44,1 kHz)

  • Amazon Music Unlimited: oferece a tecnologia de áudio lossless mais atualizada, reproduzindo em até 6144 Kbps (24 bits, 192 kHz)

  • Tidal: oferece a tecnologia de áudio lossless mais atualizada, reproduzindo em até 6144 Kbps (24 bits, 192 kHz)


Criança ouvindo música
Criança ouvindo música — Foto: Jonas Mohamadi

Sobre as outras principais características, também é possível destacar como uma grande vantagem a possibilidade de transferir sua biblioteca de músicas de outros serviços para o Napster gratuitamente.


O Napster utiliza uma plataforma chamada TuneMyMusic, o principal serviço para transferência de bibliotecas de streaming para streaming.


Na versão gratuita da plataforma, sem usar a integração da assinatura do Napster, é possível transferir até apenas 500 faixas.


Dessa forma, o Napster facilita a migração do usuário, permitindo a transferência de toda a biblioteca de outro serviço de streaming sem limitação de faixas.


Mais de 110 milhões de músicas é realmente tanta coisa assim?


Apesar de possuir uma qualidade de áudio incrível e até melhor do que a do principal concorrente, é importante ter certeza que seus artistas e álbuns favoritos estarão disponíveis para ouvir na plataforma.


Uma biblioteca com mais de 110 milhões de músicas disponíveis é, na realidade, uma quantidade imensa.


Segundo dados publicados pela plataforma de distribuição de músicas Routenote em abril deste ano, o Napster ocupa a terceira posição entre os serviços de streaming com maior biblioteca musical.


Perdendo apenas para o Deezer, que ocupa a segunda colocação com mais de 120 milhões de faixas.


E para o SoundCloud na primeira posição, com mais de 320 milhões de faixas.


O que é fácil de compreender, visto que a plataforma permite que qualquer usuário envie suas próprias músicas, ao contrário dos demais.


Jovem ouvindo música
Jovem ouvindo música — Foto: Ilias Chebbi

Mas... Apesar do surpreendente número de faixas na plataforma do Napster, minha experiência pessoal apresentou resultados desagradáveis.


Diversos artistas e álbuns que encontro com facilidade em todas as outras plataformas, não estão disponíveis no Napster.


E não estou falando apenas de artistas pouco populares, independentes ou "obscuros".


A pesquisa no aplicativo também falhou ao tentar encontrar artistas e álbuns mais conhecidos.


Portanto, se você está considerando assinar o serviço, recomendo pesquisar todos os artistas, músicas e álbuns com antecedência para evitar grandes frustrações.


O Napster tem alguma função que o torna diferente e mais especial?


O serviço como um todo tem um modelo bastante simples, sem características e funções extras que poderiam torná-lo único e mais especial.


Assim como todos os outros serviços, você pode ter sua biblioteca personalizada, salvando as suas músicas, álbuns e artistas favoritos.


Também é possível criar playlists e seguir outras criadas pela comunidade, embora não seja tão extensa quanto a do Spotify, por exemplo.


A função "rádios" permite selecionar um artista ou faixa para continuar ouvindo músicas semelhantes, função essa também comum nos demais serviços.


Na biblioteca, também é possível ver quais artistas, álbuns e músicas estão sendo mais ouvidos. No entanto, a função não apresenta o número de reproduções, nem estatísticas mais detalhadas e interessantes.


É mais como uma playlist automática baseada no seu histórico de reprodução, ao invés uma função como a máquina do tempo presente no Spotify ou a página de atividade do Tidal.


Biblioteca e playlist automática do Napster
Biblioteca e mais ouvidos — Foto: Breno Santana

A aba de pesquisa mostra ao usuário temas e gêneros musicais, além de sugerir músicas, artistas, álbuns e videoclipes populares no momento.


A aba de assistir faz algo muito semelhante, mostrando desta vez os videoclipes organizados por "melhor" de cada gênero.


Em ambas as opções, é fácil perceber que não há um trabalho de algoritmo muito avançado e personalizado.

Muito pelo contrário, as sugestões são quase que completamente baseadas no que está fazendo sucesso atualmente na plataforma.


Interface na área de pesquisar e assistir do Napster
Pesquisar e assistir — Foto: Breno Santana

Partindo para a aba de início, os conteúdos reproduzidos recentemente são exibidos na parte superior.


Logo abaixo, há uma área com destaques, preenchida com playlists de diversos gêneros, tendências e sugestões que visivelmente não são baseadas nas preferências do usuário, pelo menos na minha experiência.


Em seguida, aparece a seção "lançamentos de [seu gênero favorito]", baseada nos meus artistas e músicas reproduzidas.


Depois, temos "clipes novos", com vídeos recém-lançados de todos os gêneros, sem nenhum filtro baseado nas preferências do usuário.


Descendo mais, encontramos os "melhores lançamentos", com álbuns diversos e recomendações também sem base nas preferências do usuário.


Quase no final da página, existe "minhas músicas favoritas", com faixas recentemente reproduzidas, e "artistas de [seu gênero favorito] mais ouvidos", mostrando uma lista dos artistas mais populares do gênero na plataforma.


E por último, "um mix feito para você", que exibe recomendações de músicas de seus artistas favoritos.


Qual particularmente, não achei nada surpreendente na seleção de faixas, foi praticamente uma playlist apenas com faixas populares.


Em comparação com os algoritmos de recomendação dos demais serviços de streaming de música, o Napster apresenta um sistema extremamente frustrante e fraco!


Página de início do Napster
Página de início — Foto: Breno Santana

Com o Napster, você pode personalizar seu perfil com nome e foto, com o objetivo de encontrar e convidar amigos para visualizar e salvar suas playlists públicas.


Nas configurações do aplicativo, existem apenas as funções essenciais, como gerenciar sua assinatura, personalizar o recebimento de notificações e configurar a qualidade de áudio.


Como é a experiência de usabilidade e interface do Napster?


Como descrevi no início do tópico anterior, o Napster tem um modelo muito simples.


Tanto em termos de recursos quanto de funcionalidades, o aplicativo oferece apenas o básico em experiência de usabilidade e interface.


Para usuários acostumados com a experiência proporcionada por outros serviços de streaming de música, é fácil sentir falta de gestos e integrações importantes.


Por exemplo, não é possível arrastar a tela para baixo enquanto escuta uma música para sair da página de reprodução.


A única maneira de sair é pressionando o ícone no canto superior esquerdo ou o botão de voltar do smartphone.


Uma funcionalidade que também faz bastante falta no Napster é a exibição das letras das canções, algo bastante comum e popular, mas que o serviço não oferece no momento.


Outro exemplo é a possibilidade de compartilhar músicas nos stories do Instagram. Infelizmente, o Napster apenas permite compartilhar o link para ouvir as músicas.


Arte promocional no site oficial do Napster
Card promocional no site oficial — Foto: Napster

No que diz respeito ao design, o Napster apresenta uma aparência agradável e minimalista, com uma paleta de cores azulada e tons de branco para os textos e ícones.


No entanto, não se ajusta ao tema claro ou escuro do smartphone, nem oferece demais temas ou opções de personalização de interface.


Na tela de reprodução, são exibidos apenas a capa do álbum, o nome da faixa e os botões de controle básicos.


O Napster não possui capas animadas e dinâmicas como os outros serviços.


A biblioteca não pode ser personalizada para exibir apenas suas opções favoritas, e os itens são exibidos somente no modo de lista.


A velocidade do aplicativo, no entanto, é ótima e não apresenta travamentos ou lentidão, o que é de se esperar de uma aplicação com poucos recursos e elementos visuais.


Seria o Napster o serviço de streaming de música ideal para mim?


Atualmente, o Napster é um serviço de streaming de música bastante simples e limitado, oferecendo significativamente menos benefícios e funcionalidades em comparação com seus concorrentes.


No entanto, apenas isso não é o critério ideal para determinar se vale a pena ou não assinar o Napster.


É bem simples: como uma plataforma voltada para oferecer a possibilidade de ouvir músicas via streaming ou offline, o Napster cumpre perfeitamente com o seu objetivo.


Apesar da ausência de funcionalidades interessantes disponíveis nos demais serviços, o Napster é atualmente o serviço de streaming de música com a assinatura mais acessível.


Por esse motivo, se seu objetivo é simplesmente ouvir música sem anúncios, interrupções, e com a praticidade de baixar e ouvir em qualquer lugar ou dispositivo, o Napster acaba sendo a opção mais econômica disponível no mercado, principalmente por causa também de seus dois melhores benefícios:


  1. Qualidade de áudio semelhante à dos CDs

  2. Biblioteca com mais de 110 milhões de faixas


E para tornar tudo ainda mais prático, tem uma interface minimalista que qualquer um consegue usar com muita facilidade, apesar da ausência de gestos comuns usados por outros aplicativos.


Sendo assim, se você não está interessado em pagar mais caro pelos recursos disponíveis em outros serviços, o que o impede de assinar e usar o Napster?


O "melhor serviço de streaming de música" não existe, porque isso é completamente relativo.


Cada usuário tem seus gostos e preferências únicas, e basta experimentar para descobrir o perfeito para você.


Se você gostou toda a simplicidade do Napster, sem dúvidas deveria experimentar o serviço gratuitamente por 30 dias.


Quem sabe ele não se torna o seu serviço favorito!


 

Eu adoraria ouvir a sua opinião sobre esse tema, conta para mim a sua experiência nos comentários!


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1 Comment


Carole Druaum
Carole Druaum
Jun 27

A primeira coisa que me interessou foi o preço, eu pago Spotify para universitários (mais barato) mas ele tem uma certa duração e logo vai acabar, e não queria ter que pagar mais caro. Porém, quando fui adentrar no Napster, ele me obriga a criar uma conta, e logo apresenta plano de assinatura, sem que eu possa ingressar gratuitamente, tal qual outras plataformas. Ele tem o período gratuito, mas gostaria de usar sem ele, apenas para fuçar os artistas presentes. Para mim é essencial que tenha Muse, Manu Chao, Mano Negra e artistas de MPB como Adriana Calcanhotto, além do podcast Decrépitos. A princípio, vou seguir com meu Spotify, mas quem sabe no futuro eu crio uma conta para fuçar…

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