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  • Plantasia, um álbum feito para plantas e pessoas que as amam

    Existe uma possibilidade de suas plantas gostarem de ouvir música eletrônica, e em 1976 surgiu um álbum criado especialmente para elas! O surgimento dos experimentos musicais com plantas Dorothy Retallack foi uma das primeiras figuras a ganhar popularidade com experimentos musicais realizados com plantas. Interessada por esse tema, começou com suas pesquisas na primavera de 1968 no Colorado Women's College em Denver. Em seu primeiro experimento, junto com um colega de classe, plantaram filodendros, milho, sardinheiras e rabanetes. A ideia era analisar o comportamento dessas plantas a uma gravação feita pela própria Dorothy, que consistia basicamente em duas notas de piano sendo tocadas repetidamente. A fita foi reproduzida durante 12 horas todos os dias. No entanto, o resultado não foi nada surpreendente, ao final do 21º dia, as plantas não estavam se desenvolvendo bem. Os experimentos continuaram sendo realizados de várias formas diferentes por mais de dois anos. Até que, em 1970, um jornal local demonstrou interesse no assunto e solicitou a publicação de um experimento. Desta vez, foram utilizadas duas câmaras: uma tocando rock e outra com música clássica. Em ambas as câmaras, as plantas apresentaram inclinação para longe dos alto-falantes, sendo mais visível na câmara que tocava rock. O artigo foi um sucesso e apareceu em mais de 500 jornais e revistas da época. No entanto, os métodos de Dorothy foram criticados pela falta de rigor científico. Curiosamente, o tema continua a despertar interesse e pesquisas modernas seguem investigando os efeitos do som nas plantas, utilizando métodos mais rigorosos e tecnologias avançadas. Alguns estudos sugerem que certas frequências sonoras podem influenciar o crescimento e desenvolvimento das plantas, mas os resultados ainda são inconclusivos e o assunto permanece em debate na comunidade científica. O conceito e a mente por trás de um álbum feito para plantas Em 1976, o compositor canadense Mort Garson encontrou a oportunidade ideal para iniciar seu próximo projeto, inspirado não apenas pela crescente popularidade das pesquisas sobre plantas, mas também pelos livros: "O Som da Música e das Plantas," de Dorothy Retallack e "A Vida Secreta das Plantas", de Peter Tompkins. Assim, deu início à produção de um álbum experimental de música eletrônica completamente instrumental, feito especialmente para ser ouvido e amado por plantas domésticas. O álbum tem como principal objetivo promover o crescimento saudável e a felicidade das nossas amigas verdes, incorporando elementos sonoros que teoricamente são agradáveis e estimulantes. "Música quente da terra para plantas... e para pessoas que as amam", é a frase destacada na capa do disco. Produzido inteiramente usando um sintetizador Moog, instrumento que, na época, havia sido lançado há pouco mais de uma década (mais especificamente em 1964). O Moog era conhecido por sua capacidade de produzir uma variedade de timbres e sons sintéticos, desde notas suaves e etéreas até sons mais complexos e percussivos. Mort Garson, em especial, é considerado um dos pioneiros da música eletrônica, explorando novas fronteiras sonoras e experimentando com técnicas de produção inovadoras para a época. Ele também se destacou por sua versatilidade, compondo trilhas sonoras para filmes e televisão, além de colaborar com artistas de diversos gêneros. A sonoridade vibrante e influência terapêutica de Plantasia "Mother Earth's Plantasia", lançado em 1976, é uma fusão de música eletrônica, experimental e ambiente, principalmente marcado pelas melodias com um tom continuamente alegre e vibrante, onde a ausência de notas sombrias cria uma atmosfera de pura positividade. As composições desse disco para plantas emanam uma sensação de maravilha e são impulsionadas por um certo humor e ritmos efervescentes, criando uma experiência que encanta e energiza quem as ouve. A faixa-título abre o álbum com uma introdução épica com um estilo orquestral totalmente eletrônico, como se convidasse todas as plantas a se acomodarem confortavelmente e se aventurarem nessa jornada aconchegante criada especialmente para elas. Todas as demais faixas do álbum apresentam uma sonoridade única, explorando a ambientação utópica e espacial que o sintetizador Moog é capaz de reproduzir. Plantasia é leve, confortável e terapêutico! Os títulos das composições também são bastante interessantes, sendo a grande maioria, músicas direcionadas em especial para plantas específicas. Plantasia - "Plantasia" Symphony for a Spider Plant - "Sinfonia para uma Clorofito" Baby's Tears Blues - "Blues da Lágrima-de-bebê" Ode to a African Violet - "Ode a uma Violeta-africana" Concerto for Philodendron & Pothos - "Concerto para Filodendro & Planta Jibóia" Rhapsody in Green - "Rapsódia em Verde" Swingin' Spathipyllums - "Lírios-da-paz Balançantes" You Don't Have to Walk a Begonia - "Você Não Precisa Passear com uma Begônia" A Mellow Mood for Maidenhair - "Um Humor Suave para Avenca-das-Fontes" Music to Soothe the Savage Snake Plant - "Música para Acalmar a Selvagem Espada-de-São-Jorge" O papel artístico de Plantasia também foi pioneiro na exploração da relação entre música e natureza, antecipando tendências contemporâneas, como a música ambiente e a terapia sonora. Sua influência pode ser vista em uma variedade de artistas e gêneros musicais que exploram temas semelhantes de conexão com o ambiente natural e a espiritualidade. Essas composições têm uma aura única e irradiam uma energia positiva capaz de alegrar o seu dia, pode acreditar, é terapêutico de verdade! (Ou talvez eu seja uma planta). Compre uma planta doméstica e garanta a sua cópia do álbum O lançamento do álbum foi altamente restrito em termos de distribuição, sendo disponibilizado apenas para os clientes que adquiriram uma planta doméstica na floricultura "Mother Earth's Plant Boutique" (o que explica o nome do álbum), localizada em Los Angeles, na Avenida Melrose. Também foi disponibilizado para aqueles que compraram um colchão Simmons em uma loja da Sears naquela época. Essas compras na floricultura Mother Earth incluíam uma cópia do álbum em vinil e uma tabela impressa com informações importantes sobre sintomas, causas e soluções para problemas com plantas domésticas. A curiosa impressão didática chamava-se "Mother Earth's Hassle-Free Remedy Chart", ou em português: "Gráfico de soluções sem complicações da Mother Earth". Escrito por Joel Rapp e sua esposa Lynn, proprietários da floricultura. Esta pequena impressão em papel fornecia informações sobre como lidar com pragas, doenças, deficiências de nutrientes e outros problemas que os cultivadores domésticos de plantas de interior poderiam possivelmente encontrar. Também existe um texto muito engraçado nas notas originais do encarte do disco, escrito por Joel Rapp: Francamente, embora não estejamos totalmente convencidos de que funcionará, uma coisa é certa: não poderá prejudicar. Você precisa comprar fones de ouvido para as suas plantas Particularmente, como um amante de música experimental e conceitos criativos, recomendo imensamente a todos para dedicarem um tempo para ouvir todas as faixas deste álbum, vai te fazer bem de verdade, pode apostar! Embora, infelizmente, não tenha sido um sucesso comercial na época do seu lançamento, Plantasia ganhou um status cult e conquistou muitos fãs nos últimos anos, sendo redescoberto e inclusive relançado pela gravadora Sacred Bones Records, justamente por ser tão apreciado por sua estética única e atmosfera relaxante. E para aqueles que já ouviram o disco e ficaram com sede de mais: em setembro de 2019, ocorreu uma apresentação ao vivo no Conservatório do Garfield Park, em Chicago, em uma homenagem ao incrível trabalho de Mort Garson. O evento reuniu diversos artistas independentes que reinterpretaram as faixas do álbum em um cenário exuberante, cercado pela flora do conservatório, proporcionando uma experiência única e imersiva para os fãs do icônico álbum em um cenário repleto de conexão com a natureza. Aperte aqui para para ouvir o álbum completo no YouTube. Aperte aqui para ouvir a apresentação ao vivo no Archive. Artista da ilustração presente na capa desta postagem: Bill Connors . Eu adoraria ouvir a sua opinião sobre esse tema, conta pra mim a sua experiência nos comentários! Quer ficar por dentro de todas as novas postagens? Considere assinar a newsletter gratuitamente!

  • Comece o seu dia com o café da manhã psicodélico do Alan

    Conheça a experiência psicodélica criada pelo Pink Floyd que nos transporta para um café da manhã em Los Angeles, com bacon e marmelada! Não surpreende a ninguém essa ideia ter vindo do Pink Floyd Em 1970, em "Atom Heart Mother" (também conhecido como o álbum da vaca), o Pink Floyd apresentou uma icônica obra experimental sonora envolvendo um café da manhã em Los Angeles. Quem conhece, sabe muito bem que o quarteto britânico psicodélico e progressivo conquistou bastante popularidade e, inspirou e inspira até hoje uma quantidade incontável de fãs e músicos com suas canções e composições complexas. Sendo extremamente influentes para a história do rock e da música, são principalmente conhecidos pelos álbuns "The Dark Side of the Moon", de 1973, e "The Wall", de 1979. Quem resolveu explorar toda a discografia da banda observou como o Pink Floyd sempre amou e misturou a criatividade, psicodelia, técnicas inovadoras de estúdio a e a experimentação vanguardista, deixando assim sua marca registrada. Composições como: "Interstellar Overdrive", "A Saucerful of Secrets", "Atom Heart Mother" e "Echoes", são alguns exemplos de obras de arte complexas e inovadoras que transcenderam as barreiras da música no final dos anos 60 ao início dos anos 70. E é nessa atmosfera de experimentação vanguardista que encontramos, na faixa final do álbum da vaca, um banquete musical — ou melhor, o café da manhã psicodélico do Alan. Alan te guiará pelas etapas de um café da manhã psicodélico perfeito O conceito da faixa "Alan's Psychedelic Breakfast" é simples, mas bastante inovador para a época. Através de uma ambientação sonora imersiva, melodias agradáveis e a icônica narração de Alan Styles, a composição nos leva a vivenciar a experiência de um café da manhã em Los Angeles, desde o preparo até o consumo. Com seus incríveis 13 minutos de duração, a composição é dividida em três partes distintas: Rise and Shine, Sunny Side Up e Morning Glory, cada uma com seus sons únicos e movimentos marcantes. Etapa I: Rise and Shine — "Levante-se e brilhe" "Rise and Shine" começa com o som contínuo de pingos d'água, seguido por Alan entrando em sua cozinha e mexendo em diversos objetos. Em seguida, ouvimos uma narração em várias camadas, onde ele descreve o que pretende comer. "Oh, uh, meus flocos, então, uh, ovos mexidos, bacon, salsichas, tomates... torrada, café... marmelada, eu gosto de marmelada. Sim, mingau é bom. Qualquer cereal, eu gosto de todos os cereais... oh Deus. Vamos embora, já são 10h." Após algumas voltas pela cozinha, provavelmente pegando a frigideira e alguns pedaços de bacon, Alan começa a acender vários fósforos de forma rítmica. Isso introduz, junto com a chegada da banda, uma atmosfera vibrante, permeada por melodias descontraídas e tranquilas. A ambientação instrumental flui perfeitamente até terminar com o som estridente de um apito de chaleira, que se esvai suavemente junto com o órgão de Richard Wright. Etapa II: Sunny Side Up — "Ovo frito com gema mole para cima" Quando "Sunny Side Up" começa, Alan pronuncia: "Café da manhã em Los Angeles, coisas macrobióticas", enquanto enche sua xícara com café, coloca algo, talvez açúcar, mexe com uma colher e bebe algumas vezes. A macrobiótica mencionada por Alan é um sistema de saúde e estilo de vida inspirado na filosofia oriental, enfatizando uma dieta equilibrada com alimentos naturais, integrais e orgânicos, como cereais, legumes, verduras, algas marinhas e sementes. A composição prossegue com uma série de efeitos sonoros cotidianos, incluindo o som de cereais sendo despejados, enquanto o crepitar de algo sendo frito (bacon, ovos ou as salsichas) em uma frigideira completa a atmosfera. Uma nova melodia emerge, predominantemente marcada por trilhas de violão e uma guitarra slide, enquanto Alan se entrega ao prazer de saborear seu delicioso café da manhã. As melodias seguem um ritmo mais melancólico, criando uma sensação de reflexão. Os sons de Alan comendo são uma parte essencial da atmosfera, representando o ambiente doméstico e íntimo que a faixa busca retratar. Etapa III: "Morning Glory" — "Glória da manhã" Voltamos às proteínas sendo preparadas em "Morning Glory" enquanto Alan compartilha mais algumas de suas frases: "Eu não me importaria de ter um barracão para guardar minhas coisas", "Minha coluna está terrível, dói muito quando estou trabalhando", e "Esse material elétrico, eu não ligo para ele. Então, em meio ao som alto das frituras, já podemos sentir a próxima melodia se aproximando, apresentando-se lentamente antes de tomar todo o espaço em cena com a percussão de Nick Mason, o piano de Richard Wright e o baixo de Roger Waters conversando magicamente entre si. A atmosfera acelerada toma forma, crescendo em intensidade com os marcantes solos de guitarra de David Gilmour entrelaçando-se numa dança sonora em perfeita harmonia. Essa energia é complementada por colagens e experimentações únicas, incluindo as vozes de Alan em colagens caóticas e os efeitos sonoros previamente ouvidos ecoando ao fundo. Finalizando de forma épica, somos envolvidos pelo som da água escoando pelo ralo da pia, até que, finalmente, a torneira é fechada. O fim também pode representar um novo começo Então, ouvimos passos se afastando e mais objetos em cena, até que, por fim, Alan pega suas chaves e pronuncia sua última frase: "Minha cabeça está vazia", e vai embora trancando a porta, deixando-nos apenas com o restante da água descendo pelo ralo. É muito curioso perceber que Alan não fechou completamente a torneira, pois ainda podemos ouvir os mesmos pingos d'água que ouvimos lá no início desta incrível jornada musical. O que nos permite mergulhar de novo e de novo em um looping perfeito. Essa decisão para o fim da composição pode simbolizar o início de mais um dia, com mais um café da manhã psicodélico sendo preparado. É a natureza cíclica da vida! Muitos interpretam a música como uma representação da experiência psicodélica, dos aspectos mundanos da vida ou como uma sátira da sociedade. Essa diversidade de interpretações é uma prova da riqueza e profundidade da obra, permitindo que cada ouvinte encontre significados pessoais e conexões únicas com a música e com simples ato de tomar um café da manhã. Alan Styles, roadie e companheiro de café da manhã Para quem ficou curioso sobre o Alan Styles, ele desempenhava o papel de gerente de turnê (também conhecido como roadie), encarregado de coordenar e gerenciar todos os aspectos logísticos e operacionais dos shows da banda. Conforme relatado em entrevistas com os membros do Pink Floyd, Alan frequentemente preparava o café da manhã para o grupo, proporcionando momentos de conversas descontraídas sobre música e outros temas enquanto compartilhavam a refeição. Durante as gravações do álbum "Atom Heart Mother", a banda decidiu imortalizar seu ritual matinal com uma suíte musical icônica e tão amada pelos fãs da banda. Agora é a sua vez de preparar um café da manhã psicodélico Permita-se viajar nessa experiência musical única que o Pink Floyd proporcionou para nós em um dos álbuns mais incríveis (e o meu favorito da banda) já produzidos! Ou melhor, use-o como trilha sonora para seu próximo café da manhã, e, se possível, convide algum amigo chamado Alan para viver esse momento ao seu lado. Ingredientes que você precisa para preparar um café da manhã psicodélico do Alan: Café Torradas Salsichas Ovos mexidos Bacon em fatias Tomates frescos Mingau (porque é bom) Marmelada (ele gosta de marmelada) Cereal (de qualquer tipo, ele gosta de todos) Bom apetite e viagem psicodélica! Eu adoraria ouvir a sua opinião sobre esse tema, conta pra mim a sua experiência nos comentários! Quer ficar por dentro de todas as novas postagens? Considere assinar a newsletter gratuitamente!

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